O resgate da arte de carregar bebês no pano – Por quê praticar e por onde começar

Um dos assuntos que nos uniu – eu, Alice, Cassis, Lourdes e várias outras mulheres fantásticas que estavam se tornando mães – foi o mundo dos slings, ou carregadores de bebês. Nós não sabíamos, mas estávamos participando do resgate de uma prática muito antiga, mas esquecida pela nossa sociedade. Hoje, 5 anos depois, a prática do babywearing (algo como “vestir bebê”), como é chamada por alguns, está muito mais disseminada, sendo assunto de reportagens, quadro de noticiário e conhecida por muitas pessoas, apesar de ainda ser visto como algo “alternativo”. Mas o que está por trás de carregar seu bebê coladinho ao corpo e por que tantas mulheres e famílias vêm aderindo a esta ideia?

O resgate da arte de carregar bebês no pano | O Nosso Blog

Oficina ministrada por Carol Neves e Alice Ibelli – Ciranda Materna São Carlos – foto por Alice Ibelli Fotografia

Um dos motivos mais claros ao vermos alguém carregando o seu bebê no sling é a praticidade que ele promove. Ao ficar com as mãos livres, a mãe ou cuidador pode, ao mesmo tempo que oferece colo e proteção ao bebê, realizar outras atividades cotidianas ou se deslocar com mais facilidade, pegar um ônibus, ir ao supermercado. Para muitas puérperas, aliás, isso não é só questão de vontade de fazer outras atividades, mas é crucial no resgate da sua autonomia e da autoimagem como mulher além-de-mãe. Isso porque os primeiros meses podem ser muito penosos se forem marcados pela reclusão e pelo isolamento de ficar 24 horas por dia em casa, voltada somente para o bebê. Com o sling, é possível ir retomando, aos poucos, uma rotina de passeio, atividades prazerosas fora de casa, exercício… o que for importante para aquela mãe. Além disso, querendo ou não, vai ser inevitável carregar o bebê por bastante tempo enquanto ele for pequeno. No pano, a distribuição do peso entre os ombros, as costas e os braços torna muito mais gostoso e menos doloroso carregar do que somente nos braços. :)

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Laurinha sendo carregada enquanto mamãe fazia o almoço

Mas ter as mãos livres não é o único propósito de carregar pertinho. De acordo com a teoria da exterogestação, o bebê humano é essencialmente prematuro. É só comparar com outros animais: enquanto o potrinho ou o bezerro nascem e já são capazes de caminhar, os golfinhos de nadar, os cachorrinhos minimamente de se locomover até os mamilos da mãe, o bebê humano leva quase 1 ano para engatinhar, adquirir a postura ereta e caminhar (e bem uns 20 anos, e olhe lá, para se sustentar por conta própria – hahaha). Devido a esta prematuridade intrínseca, o bebê humano precisa de um ambiente que simule o útero tanto quanto precisa de alimento, para finalizar sua maturação física e emocional. Portanto, partimos do pressuposto de que, quando o bebê solicita colo, contato, carinho, ele não está fazendo manha ou sendo mimado, mas ele tem uma necessidade real que precisa ser suprida. Essa satisfação leva, inclusive, a outro benefício do babywearing: a prevenção ou tratamento de cólicas e choro excessivo. O Dr. Carlos González, pediatra espanhol muito famoso, relaciona as cólicas e o choro excessivo à essa falta de contato necessária.

As principais características de carregar o bebê no sling e que simulam o ambiente intrauterino, trazendo bem estar e segurança ao bebê são:

– A regulação de calor proporcionado pelo corpo da mãe (e isso é tanto para aquecer quanto para resfriar o corpinho do bebê);

– A contenção do tecido, simulando o ambiente apertadinho;

– A posição verticalizada, mais confortável e que previne refluxo e gases;

– O balanço natural do caminhar da mãe;

– Os cheiros e sons do corpo da mãe;

– Proximidade ao seio – livre demanda e estímulo para a produção de leite materno.

Falamos muito da mãe e dos benefícios para ela e no contato do bebê com ela, mas o pai e outros cuidadores podem se beneficiar muito do sling. Com ele, podem participar mais ativamente do cuidado com o bebê, sentindo esta relação tão próxima que o contato pele-a-pele proporciona e o estreitamento do vínculo. Alguns pais adoram a simulação de ter seu bebê como se fosse na barriga e poder sentir esta troca de calores e energias. :)

Para o bebê, carregar no pano traz grandes benefícios em relação ao seu desenvolvimento global. Se usado de forma adequada, o sling respeita e promove o desenvolvimento postural do bebê desde os primeiros dias, se adequando até que ele consiga sentar sozinho e, posteriormente, adquirir a postura ereta e andar sobre as duas pernas.

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Por isso, é muito importante informar-se sobre o posicionamento correto do bebê no sling, as regras de segurança e sobre os diversos modelos e tecidos, como nestes textos aqui:

Regras de segurança básicas para o uso de qualquer portabebês – por Elena de Regoyos (Mamaememima)

Como carregar e perguntas frequentes – por Carine Panthet (Jenipano)

O babywearing também proporciona o desenvolvimento emocional de forma ideal. Isto porque o bebê recém-nascido tem pouca habilidade para lidar com a quantidade de estímulos ambientais a quais estamos submetidos no dia-a-dia (em especial em ambientes complexos como supermercados, shoppings, etc.). Imagine-se como um bebê, deitado no carrinho e voltado para cima, sendo arrebatado por uma infinidade de cores, sons, luzes, sem nenhum tipo de filtro. Não é incomum que bebês, após um passeio no shopping, cheguem em casa exaustos, mas não conseguirem dormir ou relaxar. Seu cérebro deve estar a mil, como nós ficamos após aqueles dias longos e cheios de atividades, quando deitamos na cama e a cabeça não pára. No sling, o bebê tem acesso aos estímulos ambientais, mas sempre tem a possibilidade de retornar a atenção para seu porto seguro: a mãe ou o pai que o carrega. Se ele se cansa, pode encostar e descansar, protegido. 

Bom… sabendo, então, que o uso do sling é muito mais do que ter as mãos livres, você pode começar a pesquisar sobre os modelos, modos de usar, possibilidades. O babywearing é um mundo a parte! Sugerimos alguns vídeos para começar a se aventurar pela ideia e o grupo do Facebook “Bem Carregar Bebê – Brasil” para tirar suas dúvidas e aprender cada vez mais. Eu e a Alice oferecemos oficinas de sling em grupos desde 2012 e estamos sempre aprendendo coisas novas!!!

A amarração considerada “a básica” no sling wrap (um pedaço de tecido comprido)

Outro sling bem conhecido por ai é o de argolas (ou ring sling):

Mas você não precisa de um sling super caro ou um tecido X ou Y. Você pode improvisar um carregador com praticamente qualquer coisa:

Se sentir a necessidade de uma ajuda mais individualizada, nós oferecemos também consultorias em domicílio. É só entrar em contato aqui ou pela nossa página do Facebook. Esperamos que vocês possam se beneficiar da prática de carregar seu filho(a), assim como nós e tantas outras famílias. Vamos aproveitar enquanto eles precisam e querem ser carregados, porque depois passa! Pode acreditar ;) hehehe