O Nosso Blog recebe: Lucilaine Lasaretto. A maternidade e o câncer de mama aos 33 anos.

É com prazer que anunciamos que O Nosso Blog vai começar a receber convidados(as)! E, para inaugurar essa nova seção, trouxemos um assunto super importante e uma lição de vida emocionante, com vocês: Lucilaine Lasaretto contando um pouquinho da sua história de luta contra o câncer de mama e pela vida! =)

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“Neste mês de campanha para a prevenção do câncer de mama, o Outubro Rosa, tive o privilégio de ser convidada por pessoas queridas, as autoras do “O Nosso Blog” para contar um pouco da minha história de vida, então lá vai…

Em 2014, aos 33 anos e com um filho de 4, fui diagnosticada com câncer de mama. Após dois anos fazendo ultrassons por achar minha mama direita mais rígida e dolorida, fui a uma médica ginecologista, pois havia saído uma secreção espontânea, de cor marrom clara, do meu seio. Até então nenhum médico havia me pedido mamografia, pois é de costume que peçam o exame somente a partir dos 40 anos. Para minha sorte, esta médica pediu mamografia e ultrassom, e quando o resultado veio o susto já foi grande.

Diante da imagem da mamografia já existia uma grande chance que eu estivesse com câncer de mama. Imediatamente a própria médica ligou para o mastologista e já agendou uma consulta. Ele, por sua vez, me alertou da real possibilidade, mas disse que não poderia confirmar nada antes de uma biopsia. A tal biópsia foi feita e, para a surpresa de todos e uma felicidade pouco duradoura, o resultado deu negativo, alegando apenas ‘fibrose’, que é a junção de microcalcificações que inflamam (mesmo porque eu não tinha nódulo na mama, somente as tais calcificações). O mastologista, meu anjo da guarda de plantão, não aceitou o resultado e meu pediu um novo exame chamado mamotomia. Este exame é feito a partir das imagens da mamografia (e não do ultrassom como havia sido feita a biópsia), e são retirados pequenos fragmentos da mama com uma agulha grossa e mais específica.O-Nosso-Blog-recebe-Lucilaine-Lasaretto-3

 

 
Quando veio o resultado do exame, no inicio de novembro de 2014, tivemos a confirmação que eu estava mesmo com um câncer de mama “in situ”, ou seja, em fase inicial, que não enraizou em lugar nenhum. Bom, e aí começou o real pesadelo. Ao mesmo tempo que existia uma sensação de alívio por saber finalmente o que era, vieram os medos, os questionamentos, o repensar a vida.

Eu estava trabalhando ‘loucamente’, período integral, deixando meu filho na escola das 7:30 as 17:30, chegando em casa e tendo mais milhões de coisas a fazer, de mãe, mulher, doméstica e professora. O câncer me parou! Ele fez  que eu olhasse o que eu estava fazendo com a minha vida. Um dia depois do diagnóstico eu parei de correr tanto e me perguntei: Pra que? Pra que trabalhar tanto, correr tanto, chorar tanto, reclamar tanto? Pra que? Eu só queria (e quero) ver meu filho crescer, ir ao casamento dele, estar ao lado dele em todas as conquistas…eu não queria mais correr pra tudo, eu queria somente, VIVER.

Deste dia em diante, eu passei a agradecer todos os dias ao levantar, pela minha vida, e pedir aos seres superiores que eu fosse merecedora de continuar neste plano por mais um tempo, tempo suficiente para ser mais feliz ao lado das pessoas que amo.

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Quando o câncer foi confirmado e a cirurgia marcada o médico me explicou que a única solução para o câncer ‘in situ’ seria a retirada da mama toda, pois este tipo de câncer não responde a quimioterapia, porém, a reconstrução com prótese de silicone (para o meu caso) poderia ser feita na hora da cirurgia, mas que, como havia ponto da doença no mamilo, este também seria retirado…e aí a tristeza veio a tona, pois, pode parecer insignificante por ser  uma parte tão pequena do nosso corpo, mas eu amamentei meu filho ali…era o nosso elo, nosso lugar ‘sagrado’… mas, não havia outro jeito.

A cirurgia foi feita já com a reconstrução, o que me impediu de poder pegar peso e erguer o braço por aproximadamente, 60 dias, consequentemente me privou de pegar meu filho no colo e dormir com ele, como era de costume. Não quis esconder nada dele, tentei explicar, de forma simples, que eu estava com um “dodói” no peito, que o médico ia tirar esse dodói, só que eu não poderia pegar peso por um tempo, mas, eu ficaria sempre ao lado dele. No começo foi difícil, para ele e para mim, é claro. A cada retorno médico eu perguntava quando poderia pegar meu filho e tudo parecia uma eternidade. Quando esse dia chegou, com  muita cautela e sem exagero, ficamos vários minutos abraçados…minha alma levitou e o sorriso estampado no rosto dele me fez sentir viva. Aos poucos fui voltando a rotina, sem excessos, porém, para minha surpresa, tive uma infecção após uma virose, e uma bactéria se alojou na prótese mamária.

Sentia dores e um inchaço estranho na mama fez com que eu procurasse os médicos. Fiz ultrassom e não havia nada. Tomei alguns anti-inflamatórios, e após cinco dias a dor e o inchaço persistiam, e junto deles, um vermelhão abaixo da cicatriz, o que indicava infecção. Fui medicada e encaminhada a um ultrassom as pressas para ver se a infecção havia chegado na prótese.

Dessa vez tive muito mais medo de perder a vida. Vi as pessoas, que até então estavam me dando forças (marido, mãe e irmã) chorarem como crianças…desesperadas! Não sabíamos qual bactéria era causadora da tal infecção e isso era muito arriscado. Deixei claro para meu mastologista, ao entrar aos prantos no consultório dele, que eu estava com medo de morrer, pois eu tinha um filho pequeno e queria muito cuidar dele, e ele, médico-anjo, me olhou com toda a calma do mundo e disse: você não vai morrer! Nós vamos com tudo vencer essa bactéria, vamos com remédios, injeções (foram 18 intramusculares) e a retirada da prótese, mas você ficará bem! Pós ultrassom e infecção confirmada, fui no mesmo dia para a mesa de cirurgia…Perdi a mama duas vezes… mas ganhei a vida, uma vida nova, mais leve, cheia de aprendizados. Lá se foram mais dias sem poder pegar meu pequeno, dias para criar coragem e olhar o meu novo corpo, o meu novo eu!

No início, é no mínimo assustador e estranho não ter uma mama. Alguma vezes surgiu uma certa revolta, pois eu estava numa fase tão boa com o meu corpo, e me ver “mutilada” doeu. Mas, eu aprendi a pensar diferente, aprendi (e confesso que ainda estou aprendendo) que o  importante é mesmo ser feliz e estar viva, e que se queremos um corpo saudável ele não precisa, necessariamente, ser bonito e ‘inteiro’.

Após a cirurgia e o resultado da biópsia da mama e do mamilo, foi descoberto que havia outro câncer no mamilo (aquele que chorei e relutei em retirar), pequeno porém de um tipo raro e agressivo, este pequeno câncer me levou a quimioterapia preventiva, que me debilitou por longos três meses e me fez perder cabelos e algumas unhas.

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Fase difícil, muito difícil. Perder os cabelos foi tão doloroso quanto perder a mama, ainda mais, porque meu filho mexia nos meus cabelos desde bebê, era o “calmante” dele. Decisão difícil raspar a cabeça, mas, o mais difícil era ver eles caírem. Raspei três semanas após o inicio do tratamento. Optei, inicialmente, por uma peruca, pois quando comecei a falar para o Raul que a mamãe cortaria o cabelo, ele relutou um pouco e disse que não queria. Na verdade, eu não estava preparada para me ver careca, para ficar careca perto das pessoas, para que meu filho me visse careca. Fiquei um mês de peruca, me escondendo, perdendo minha identidade, até que um dia, Raul, com a genuína lindeza de toda criança, vira e fala:

– Mamãe, eu queria mesmo saber o que a moça fez com o seu cabelo (eu havia dito que a moça havia tirado o meu e colocado o outro – sem maiores detalhes);

E então, eu disse:

– Olha filho, o mais legal do cabelo novo da mamãe, é que ele sai! Você quer ver?

– Ele abriu um sorriso e disse que sim!

– Mas eu estou careca, disse a ele!

– Não tem problema, mamãe…

E eu criei coragem, tirei a peruca, e ele sorriu com toda a ingenuidade do mundo, e soltou um “LEGAL”, e foi brincar… Aos poucos fui ficando sem a peruca em casa, fomos nos reconhecendo, e com alguns dias ele já quis colocar a mão na minha careca, depois resolveu fazer um carinho e depois vivia beijando minha cabeça…

A quimioterapia acabou, o cabelo está crescendo e eu estou aqui, vendo meu filho crescer, sendo feliz, repensando a vida diariamente. Ainda estou afastada do trabalho, mas pretendo ser diferente quando voltar a ativa. Meu único propósito agora é ser feliz e ter uma vida saudável. Daqui um mês fará um ano de cirurgia, um ano sem câncer. Um ano de vida nova, e o que tenho de recado para você que leu minha história é:

Cuide-se! Peça mamografia aos médicos, independente de sua idade. Olhe sempre para o seu corpo com muito cuidado. Veja se não há alteração no formato das mamas e nos mamilos, só o auto-exame não é suficiente. Ir ao médico e fazer acompanhamento pode salvar sua vida. Além disso, viva mais leve, faça coisas que te faça feliz, curta seus amores e sua vida, perdoe mais, sofra menos por coisas banais. Viva bem e tenha uma vida saudável. Eu não tinha uma vida desregrada, me alimentava até que bem, mas sempre fui estressada e nervosa… o câncer não escolhe a quem acometer, mas sabemos que podemos fazer algumas coisas para estar mais longe dele. Se você tem casos na família, cuidado redobrado, se não tem, vamos viver uma vida mais saudável, cuidando da alimentação, praticando atividades físicas e nos olhando sempre. Mas não se esqueça, a prevenção não é só em outubro, é sempre… todos os dias.

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Para quem quiser mais detalhes desta minha história é só conferir meu blog: Câncer de mama: Cura e Curiosidades

Boa vida à todos nós!”

4 ideias sobre “O Nosso Blog recebe: Lucilaine Lasaretto. A maternidade e o câncer de mama aos 33 anos.

  1. Isabel C. Hebling

    Eu tenho a honra de conhecer a Lucilaine por intermédio da irmã dela, tão maravilhosa quanto, Lucileine. É uma vitoriosa, um exemplo de força, fé e foco. Que Deus a abençoe sempre.
    Era uma honra ler o blog dela. Doia, mas me mostrava que sempre haverá duas maneiras de se encarar a vida e ela optou pela coragem, se expondo e nos mostrando o quanto ela é grande. Beijos Lú.

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  2. Edna

    Nossa que guerreira , chorei lendo sua historia , que Deus na sua infinita misericórdia, continue te abençoando e protegendo , e por favor continue dando esses depoimentos , pois infelizmente ainda tem pessoas que acha que nunca vai acontecer com ela ou com seus entes queridos. Um forte abraço e fica com Deus sempre.

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  3. Margareth Selvagio

    Amiga Guerreira

    Você é um exemplo vivo de sabedoria, esperança, fé, coragem, mostrou a todos que nada é impossível para Deus e para quem crê como você. Estou extremamente feliz com sua completa recuperação. Felicidades mil pra você e toda sua família. Grande beijo no seu coração.

    Marga

    Responder

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